O país dos doutores ou a crónica de uma tempestade anunciada!

incendios em portugal

Portugal que nos últimos tempos tem vivido uma espécie de euforia a roçar a alucinação, acordou nos últimos dias para uma realidade terrível…

Não estamos preparados para qualquer problema sério, nem temos líderes que saibam com a cabeça fria que se impõe, tomar decisões com vista a uma rápida resolução de problemas…

Temos sim uma classe política que nestas situações se comporta como se não soubesse o que fazer, resumindo os seus gestos a abraços prontamente escarrapachados nas redes sociais…

Portugal desde o 25 de Abril tornou-se um case study…

 

Formaram-se milhões de pessoas, as quais efectivamente nunca tiveram um contacto com a realidade, para a qual tinham sido formadas…

 

Antes do 25 de Abril existiam por exemplo os regentes agrícolas…

Os quais tinham um profundo conhecimento da área…

Aos mesmos foram convertidos em Engenheiros Agrários…

O nome é pomposo, mas na prática não acrescentou nada ao conhecimento…

Pelo contrário…

O engenheiro Agrário deixou de ir ao terreno…

Achou indigno….

Agora era engenheiro…

Existiam por esse país fora milhares de casas de guardas florestais…

Que entre outras coisas limpavam a floresta…

Não acham estranho que os grandes fogos tenham tido um enorme incremento nos últimos 25 anos?

 

Deixou de haver prevenção e o negócio à volta de equipamentos anti fogo sobrepôs-se ao interesse nacional…

 

Não se entende como é que a força aérea cuja base de Monte Real fica a 5 minutos da área ardida, não tem em permanência uma ou 2 unidades anti fogo…

Investimos milhões em caças f-16 para uma guerra que não existe e deixamos morrer mais de 60 pessoas por falta de meios…

Elucidativo…

Para estas pessoas a prevenção não existe…

Reage-se depois com contas solidárias e outras aberrações que seriam facilmente evitadas, caso houvesse planeamento…

Não seria lógico as forças armadas terem um papel activo neste momento?

Enviando homens para o terreno?

Não seria lógico os milhares de pessoas a viverem do Rendimento Social de inserção e cuja apetência física fosse provada, serem obrigadas a limpar a floresta em nome dos contribuintes que lhes pagam?

 




 

Mas não…

O que conta é aparecer com um colete da protecção civil ou de qualquer outra organização, a distribuir abraços…

Mas há uma diferença…

No fim uns voltam para dentro dos seus carros topo de gama devidamente climatizados, enquanto que os outros vão acordar para uma realidade terrível…

A sua vida não voltará a ser a mesma…

Tentam agora aligeirar a coisa…

Afinal tudo se deveu a uma trovoada seca…

Um raio queimou uma árvore…

 

O que fez despoletar o fogo foram as toneladas de lixo que se tornaram num rastilho de morte…

 

Se eu acender um isqueiro contra um eucalipto ou um pinheiro, eles não arderão…

No entanto se eu acender o mesmo isqueiro numas folhas secas junto a eles, os mesmos desaparecerão em minutos…

Se calhar para alguém que apesar de formado em qualquer coisa da floresta, mas que nunca saiu de um gabinete, tudo isto é mentira…

Mas fica o desafio…

Procuram agora encontrar “Bodes expiatórios”…

Todos tiveram culpa…

Mas fundamentalmente Portugal teve culpa…

Ao entrar numa espécie de sobranceria por ter a “Geração mais qualificada de sempre“, o país não se soube preparar para qualquer eventualidade…

 

O número surreal de entidades que regulam qualquer coisa simples, paralisou o país…

 

O poder tornou-se a única prioridade desta gente…

Qualquer coisa que exija uma decisão rápida, põe a nu a fragilidade do sistema…

Da complexidade de meios para uma coisa tão simples…

Proteger as pessoas do fogo…

Na boca desta gente, a área ardida passou a chamar-se “Teatro de Operações”…

Os meios humanos passaram a chamar-se de “Equipas multi disciplinares”…

Ontem ao ouvir a Ministra da administração Interna, parecia estar a ouvir um relato da batalha de Stalingrado

Teatro de Operações ….

 




 

Equipas disto e daquilo…

Alguém que diga a esta gente que mais de 60 pessoas morreram…

E que se o fogo pode ter tido origem num fenómeno natural, aquilo que se seguiu depois revelou a mais absoluta descoordenação entre entidades…

Mas não interessa…

No dia da Protecção civil ou em qualquer parada de Bombeiros, hordas de comandantes hão-de exibir orgulhosamente dezenas de medalhas…

Nesse dia convinha parar um minuto para pensarmos que por impreparação para factos concretos de tragédia, dezenas de pessoas perderam a vida…

E que a mesma não pode ser devolvida através de abraços, ou de meras palavras de circunstância…

 

Serviços de Fotografia Tapa ao Sal

 

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