O sol de outono estende-se por entre as colinas de Nisa, inundando a paisagem com uma luz suave que aquece a terra e convida a um passeio sem pressa. Aproveitamos a tarde para explorar um dos nossos recantos favoritos. A Deolinda, a nossa labradora, já não tem a energia de outrora, mas bastou o som da coleira para que ela se levantasse, ansiosa como sempre, determinada a acompanhar-nos.

O caminho pelas oliveiras
Partimos em direção à estrada que liga Nisa a Arez, um trilho que já conhecemos bem, mas que nunca deixa de nos surpreender. As oliveiras, alinhadas em fila, parecem guardar histórias antigas, carregadas de frutos que esperam o momento certo para serem colhidos. Paramos por um instante, e os meus pensamentos voltaram à nossa própria forma de colher a azeitona, uma tradição que mantemos, não por necessidade, mas pelo prazer de honrar o que aprendemos com os nossos antepassados. Este cuidado com as coisas simples, esta ligação à terra, é algo que me emociona sempre que passo por estas árvores.
A chegada ao vale e à ponte
O caminho estreita-se, e a ribeira de Figueiró revela-se ao fundo. A descida é íngreme, e a Deolinda, com a sua lentidão graciosa, acompanha-nos, esforçando-se para seguir o ritmo. Chegamos ao vale, onde a ponte se estende sobre a ribeira. Aqui, o som da água a correr e o sussurro das folhas criam uma melodia que nos convida a parar e observar.

Um refúgio de luz e sombra
A luz que atravessa as árvores ilumina o cenário, tingindo tudo com um brilho dourado. O Sérgio, com a sua Fujifilm X-E3 nas mãos, move-se silenciosamente, capturando o momento como só ele sabe. As sombras dançam nas margens largas, e por um instante, somos apenas nós e a natureza, um refúgio tranquilo longe da multidão. É como se o tempo se suspendesse, e ali, no vale, tudo ganhasse uma clareza que só a luz de outono pode trazer.
Deolinda e as recordações de outrora
A Deolinda, agora deitada, olha para nós com aquele olhar que mistura cansaço e contentamento. Sei que, para ela, estas caminhadas são mais que exercício; são momentos de recordação. Lembro-me dos dias em que corria livre, atravessando estas mesmas paisagens com uma energia que parecia infinita. Agora, o seu passo é mais lento, mas a alegria de estar connosco permanece a mesma.

O encerramento de mais um dia em Nisa
Enquanto o sol começa a descer, deixando o céu tingido de laranja e rosa, penso nas muitas vezes que percorremos esta região. Nisa é um lugar que nunca deixa de nos surpreender, e cada recanto esconde algo novo para quem está disposto a procurar. Este vale, escondido entre as colinas, é apenas um dos muitos segredos que a região guarda. Para aqueles que desejam conhecer mais sobre este lugar único, há tanto para descobrir, como explorámos no nosso guia principal sobre Nisa.
Uma conexão com a terra e a natureza
Termino a tarde com a certeza de que cada passo dado é uma forma de nos ligarmos a estas memórias, de as gravar nas paisagens e de as transformar em parte da nossa história. Caminhar em Nisa, com o Sérgio e a Deolinda, é mais do que um simples passeio; é um regresso às raízes e à tranquilidade que só o outono sabe oferecer.



























