Interior do Parque do Barrocal em Castelo Branco

O Parque do Barrocal: Viagem ao coração selvagem de Castelo Branco

Explore o Parque do Barrocal em Castelo Branco: um tesouro natural de rochas milenares e trilhos envolventes.

O céu estava limpo naquela manhã, sem nuvens que só se encontra nas zonas altas do interior. Ao chegar ao Parque do Barrocal, em Castelo Branco, a primeira sensação era a tranquilidade absoluta, um silêncio que parecia respirar junto às rochas milenares que se espalham pela paisagem. Ali, no coração desta terra indomada, o Barrocal convidava-nos a apreciar os longos trilhos que pareciam abrir caminho para o passado, um eco geológico de tempos imemoriais.

Assim que entramos no parque, somos rodeados por formações rochosas imensas, erguidas do solo com a solenidade de um antigo templo. Rochas de granito esculpidas por séculos de erosão têm o poder de nos silenciar e, ao mesmo tempo, de provocar um murmúrio interno, aquele sentimento de insignificância perante algo maior, algo que sempre esteve ali, que persiste como testemunho de tempos passados. Este é um lugar onde o homem pouco interferiu, onde tudo parece estar no seu estado mais cru e intocado. Os blocos de granito surgiam na paisagem, distorcidos e quase sobrenaturais, como se fossem guardiões de segredos que só a natureza conhece.

Entrada do Parque do Barrocal em Castelo Branco
Entrada do Parque do Barrocal, onde a natureza e a história se encontram em Castelo Branco. Autor: Sérgio Santos

O caminho entre o coração da terra e o azul do céu

O percurso começa com uma leve subida, mas depressa nos leva a um mundo de contrastes e texturas. Sentia-se o aroma das plantas autóctones — esteva, rosmaninho, tomilho — que emanavam um perfume distinto, trazido pelo calor. Enquanto subíamos, cada passo era uma pequena conquista sobre o terreno irregular. As pedras antigas, cobertas de líquenes, pareciam sussurrar segredos, e o calor subia do solo com uma intensidade particular. Era uma viagem em câmara lenta, onde o caminho e o destino se misturavam, e o próprio ato de caminhar se tornava uma forma de entender aquele ambiente.

Do alto de um dos miradouros naturais, a vista sobre Castelo Branco e os seus arredores era uma recompensa inesperada. O parque abria-se em pequenas clareiras, e o granito, envolvido pelo sol, ganhava tons que variavam entre o branco e o cinza-azulado, refletindo o céu acima. E o que parecia ser uma paisagem árida revelava-se cheia de vida, se olhássemos com atenção: pequenas aves passavam como flechas, esquivas e furtivas; insetos zumbiam no ar quente; e entre as rochas, pequenos arbustos floresciam, adaptados a este terreno inóspito.

O eco da história nas rochas ancestrais

Enquanto seguíamos o caminho, sentia-se que aquele era um lugar que já presenciou incontáveis gerações, um santuário natural que inspirou e inquietou os que aqui chegaram antes. Algumas pedras eram tão esculpidas pelo vento e pela chuva que pareciam assumir formas humanas, figuras que espreitam do alto, como antigos espíritos petrificados. Para os habitantes locais, essas formações contam histórias, e o Barrocal parece carregar esse peso ancestral com uma dignidade austera.

Ao caminhar por estes trilhos, encontrávamos resquícios de tempos antigos, rastros que eram ao mesmo tempo palpáveis e efêmeros. Castelo Branco, desde tempos antigos, é uma terra de mitos e tradições, e o Parque do Barrocal é, sem dúvida, um espelho dessas crenças. Em certos dias, diz-se que as pedras assumem formas e que as rochas se movem ligeiramente, quase imperceptíveis, como se respirassem junto com a paisagem.

Formações Rochosas Cercadas por Vegetação no Parque do Barrocal
Rochas cercadas por vegetação nativa no Parque do Barrocal, Castelo Branco. Autor: Sérgio Santos

A magia silenciosa do parque do barrocal

Caminhando ao longo dos trilhos, experimentamos uma estranha sensação de paz que vinha do silêncio quase absoluto. Por momentos, parávamos para escutar o som do vento passando por entre as rochas, um assobio suave que ecoava pelas fendas. Era o tipo de silêncio raro que se sente em poucos lugares, uma tranquilidade que quase pedimos licença para perturbar.

No final do trilho, junto a um conjunto de pedras, observei uma pequena árvore de raízes expostas, agarrando-se ao granito como se quisesse tornar-se parte dele. Era uma imagem que me acompanhou na descida, o símbolo de uma persistência feroz, de uma conexão com a terra que nada consegue quebrar.

Despedindo-nos do Barrocal

À medida que nos afastávamos, o Parque do Barrocal parecia ficar suspenso no tempo, um pedaço de mundo imutável, envolto no seu próprio mistério. Havia algo de poético naquela despedida, como se o Barrocal ficasse guardado na memória, mais presente e vívido do que qualquer outra paisagem visitada. Voltaríamos certamente, atraídos pela promessa de uma paz incomparável e por aquela sensação de ser parte de algo maior. Ali, entre as rochas, onde o tempo e a natureza conversam entre si, o Parque do Barrocal mostrava-se como um destino único, onde cada detalhe guardava a história intocada de Castelo Branco.

Álbum de fotografias do Parque do Barrocal:

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Sofia

Autora de guias de viagem no Tapa ao Sal, partilha experiências autênticas pelos destinos de Portugal. Com mais de 180 artigos publicados, alia paixão pela gastronomia e cultura portuguesa a uma escrita detalhada e acompanhada de fotografia própria.

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