A segunda-feira de Páscoa amanheceu cinzenta e temperamental em Nisa. Era dia da Romaria da Senhora da Graça, celebração profundamente enraizada na identidade da vila, mas neste ano, o meu olhar estava voltado para outro tipo de experiência. Ainda antes de os sinos anunciarem o início das festividades, saí de bicicleta para um passeio matinal, em busca da tranquilidade dos caminhos e da paisagem.
O percurso e o clima
As nuvens encobriam o céu, mas o sol rompia aqui e ali, oferecendo momentos breves de luz dourada sobre a terra ainda húmida da noite anterior. A minha rota começou e terminou em Nisa, num circuito que me levou até ao santuário da Senhora da Graça e depois em direcção à base da serra, atravessando caminhos rurais e trilhos pouco movimentados.
A subida até à capela revelou-se um dos momentos mais marcantes. Com o santuário ainda deserto, a atmosfera era de uma paz quase solene. O sítio, tão frequentemente ligado ao bulício da romaria, apresentava-se agora silencioso, expectante, com o vento a soprar leve e a luz a brincar com a paisagem. Para quem quiser conhecer melhor a história da capela, recomendo este artigo sobre a Capela da Senhora da Graça em Nisa.
A experiência do passeio
Ao seguir caminho em direcção à serra, o contraste entre a solenidade do santuário e a vastidão natural tornava-se ainda mais evidente. A bicicleta levava-me por paisagens que se revelavam diferentes a cada curva: ora iluminadas pelo sol intermitente, ora mergulhadas numa sombra fria. Os aromas da terra molhada e das flores silvestres, misturados com o som suave das aves e o ocasional chilrear distante, criavam uma envolvência quase meditativa.
Pelo caminho, parei várias vezes para registar com a câmara os contrastes de luz, os detalhes da vegetação e a forma como a chuva, que ainda não tinha chegado, parecia anunciar-se com subtileza no horizonte. As fotografias captadas durante este percurso mostram um lado menos conhecido do dia da romaria: o momento antes da festa, onde reina o silêncio e a esperança de um dia em suspenso.
O regresso e o contraste
Ao regressar a Nisa, o ambiente começava a mudar. Vi os primeiros movimentos junto à capela, os romeiros a chegar, os preparativos a ganhar forma. Pouco depois de terminar o passeio, a chuva começou a cair, suavemente primeiro, mas com mais insistência ao longo do dia. Foi um contraste marcante com a tranquilidade e a luz difusa da minha manhã, e que apenas reforçou o valor de ter vivido aquele momento antes do início das celebrações.
Para quem quiser conhecer melhor o ambiente da celebração, deixo a ligação para o artigo sobre a Romaria da Senhora da Graça em Nisa, onde descrevo o evento em si, com toda a sua energia e significado para a comunidade.
Conclusão
Este passeio foi mais do que uma atividade física: foi uma forma de observar um lugar de forma diferente, através da quietude, da luz matinal e do tempo antes da festa. Ter estado ali antes da multidão, antes da chuva, permitiu-me descobrir um lado mais introspectivo e natural de Nisa e da sua paisagem. Nem sempre é preciso participar na celebração para compreender a importância do momento. Às vezes, basta percorrer o caminho em silêncio.

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