Chegar a esta vila é como abrir um livro antigo que já esteve nas mãos de muitos. Há páginas de granito, parágrafos em flor e margens cobertas de musgo onde o tempo se detém. O carro perde velocidade, o olhar ganha vagar, e aos poucos somos levados a perceber que há lugares que se revelam mais pelo que sugerem do que pelo que mostram.
É aqui, no coração do Dão, que encontramos Santar Vila Jardim. Não apenas um nome bonito, mas um lugar real, com raízes profundas, caminhos entrelaçados e um sentido de permanência que se respira. Um projeto que uniu o passado ao presente, abrindo jardins privados à curiosidade de quem vem por bem, e transformando o silêncio em património vivo.

As vinhas ondulam sob a luz quente do interior centro, e por trás dos muros altos, escondem-se recantos esculpidos à mão. Jardins que parecem ter sido desenhados para o silêncio. As casas senhoriais não se impõem, estão apenas. As fontes ainda correm, os lavadouros esperam quem já não vem, e os bancos de pedra aceitam o tempo como ele é: lento, necessário, cíclico.
E se foi o vinho que o trouxe até aqui, o nome gravado no rótulo, igual ao desta vila, talvez seja hora de descobrir o lugar que o inspira. Esta vila não se limita a produzir vinho. Cultiva história, beleza e um certo jeito de estar que só se compreende caminhando devagar. Este é o guia de um lugar que não se visita apenas. Vive-se.
Onde fica Santar e como lá chegar
Não é difícil chegar a Santar, mas é preciso ir com tempo. Porque o caminho até lá, entre vinhas que se estendem sem pressa e aldeias que surgem como vírgulas no percurso, prepara o espírito para o que se vai encontrar. A vila pertence ao concelho de Nelas, no distrito de Viseu, bem no centro do país, onde a terra é generosa e os horizontes largos parecem acalmar quem os percorre.
Santar está cravada no coração da região vinícola do Dão, rodeada por terrenos onde as vinhas se agarram à terra como se dela soubessem segredos antigos. A estrada que a leva até lá é feita de curvas suaves, árvores velhas e silêncios longos. Não é preciso pressa. Apenas vontade de reparar.
Se vier de comboio, o ponto de chegada é a estação de Nelas. Dali, um curto trajeto por estrada leva-o até à vila. De carro, a viagem permite sentir o peso da geografia: a Serra da Estrela ergue-se a oriente, guardando a vila com imponência, enquanto, mais a sul, as Caldas da Felgueira acenam com promessas de repouso e vapor.
Geograficamente, Santar é uma vila discreta. Mas é precisamente essa modéstia que a torna inesquecível.
O que é o projeto “Santar Vila Jardim”
Há ideias que nascem do olhar atento. Outras, da memória. A de transformar Santar numa vila-jardim parece ter surgido de ambos. Não foi um plano para mudar a vila, foi uma forma de a revelar. Por detrás de muros altos, escondiam-se jardins privados, silenciosos, resguardados como segredos de família. A proposta era simples, mas radical: abrir esses espaços ao mundo. Ligá-los entre si. Permitir que as pessoas caminhassem por dentro da história viva da vila, passo a passo, folha a folha.
Foi assim que nasceu o projeto Santar Vila Jardim, um percurso contínuo por nove jardins privados, pertencentes a casas senhoriais como a Casa dos Condes de Santar e Magalhães ou o Solar dos Albuquerques, entre outras. Jardins desenhados ao longo dos séculos com a paciência de quem sabia que a beleza precisa de tempo. Jardins que agora se entrelaçam com vinhas e muros, em caminhos abertos ao visitante que escolhe abrandar.
A ideia ganhou forma com o impulso da Fundação Maria de Lourdes de Mello e Vasconcellos, e encontrou no arquiteto paisagista Fernando Caruncho o traço certo. Delicado, geométrico, respeitoso do lugar e da luz. Não se trata de um jardim novo, mas de um tecido antigo reconstituído. Cada percurso tem a sua lógica interna, a sua luz própria, e uma espécie de coerência silenciosa que não se explica, apenas se sente.
O impacto foi imediato. Santar deixou de ser apenas uma vila bonita. Tornou-se destino, experiência, narrativa. Passou a receber visitantes que não querem apenas ver, querem escutar, caminhar, sentir.
O centro interpretativo funciona como ponto de partida e chegada: ali se levantam bilhetes, compram-se objetos com história e entendem-se os alicerces do projeto. A visita pode ser feita com guia ou ao ritmo de cada um, e dura cerca de uma a duas horas. Mas o tempo, aqui, nunca foi coisa que se medisse ao minuto.
O que fazer em Santar Vila Jardim
Santar não se visita. Percorre-se. Com tempo, com olhos atentos e sem pressas. É uma vila que não se mostra de imediato, nem se dá a roteiros apressados. Aqui, não se trata de marcar pontos num mapa, mas de entrar no compasso do lugar. De aceitar que nem tudo se revela ao primeiro olhar. Há recantos que só se deixam descobrir quando abrandamos o passo e deixamos que o silêncio fale.
Não espere atrações grandiosas, filas ou folhetos coloridos. O que Santar oferece é outra coisa: presença. Uma forma de estar que só se compreende caminhando. É nos detalhes que se desenha a experiência, numa sebe bem podada, numa sombra que se move devagar ao longo do dia, no som discreto da água que corre entre pedras. Há uma harmonia que não precisa de ser anunciada. Sente-se.
Neste lugar onde os jardins se entrelaçam com a história e o vinho partilha raízes com a arquitetura, cada gesto: ver, sentar, escutar… transforma-se numa forma de visita.

🌿 Passear pelos jardins interligados
São o coração do projeto. Entrar num deles é entrar em todos. Os caminhos desenham uma linha contínua de vegetação cuidada, sebes, buxos, roseirais, pequenos portões e escadas de pedra. Há bancos à espera de descanso e ângulos que convidam à contemplação.
Não se trata apenas de visitar jardins. Trata-se de escutar uma vila através daquilo que nela cresce, floresce e persiste.
🧭 Visitar o Centro Interpretativo
O ponto de partida e, muitas vezes, de chegada. Aqui compreende-se o que é o projeto Santar Vila Jardim, conhece-se a sua história e pode até levar-se um pedaço da vila consigo: livros, objetos, vinhos, recordações com raiz.
🏘️ Explorar a zona histórica
As ruas de Santar são estreitas, calcetadas, e falam baixo. As casas em granito mantêm uma dignidade silenciosa. A Igreja Matriz ergue-se sem ostentação. A Capela de São Sebastião, mais alta, oferece uma vista ampla e uma pausa para quem a procura.

🏛️ Conhecer as casas senhoriais
Há nomes que se repetem nos livros e nas fachadas:
- A Casa de Santar e Magalhães, um dos pontos centrais da história da vila.
- A Casa Ibérico Nogueira, outra testemunha do tempo.
Estas casas não estão congeladas no passado. Continuam vivas, ligadas ao presente e à terra que as envolve.
🧺 Sentir a vila em movimento
Se visitar Santar num dia de mercado local, fique um pouco. Observe. Escute.
Veja os produtos da terra, o vaivém dos moradores, os gestos quotidianos que dão ritmo à vila. E aproveite para notar os detalhes: fontes de pedra, pelourinhos discretos, lavadouros antigos que falam de outros tempos.
📸 Fotografar Santar Vila Jardim
Para os amantes da fotografia, este é um cenário que recompensa a atenção.
- Linhas naturais nos jardins
- Texturas rústicas nas paredes
- Telhados que se repetem no horizonte
- Momentos de luz ao entardecer que parecem postos ali de propósito
Se está à procura de imagens autênticas e simbólicas de Portugal, aqui há matéria.
🎭 Participar em eventos ou visitas guiadas
A vila recebe, pontualmente, eventos culturais, visitas temáticas e percursos acompanhados.
Mas a verdadeira experiência não depende de datas: está no ato simples de andar, ver e ficar. Santar recompensa quem vai devagar.
Mapa interativo de Santar
Consulta no mapa abaixo os principais locais mencionados ao longo deste artigo, desde igrejas e capelas discretas a solares imponentes, passando por ruas antigas, miradouros informais e os belíssimos jardins privados da vila.
Clica no canto superior direito para ampliar o mapa e planear a tua visita com mais detalhe.
O vinho “Santar Vila Jardim”: a vila servida à mesa
Há vinhos que contam histórias e há outros que são feitos dentro delas. O vinho Santar Vila Jardim pertence a esta segunda categoria. Não nasceu apenas da terra, mas também do silêncio entre as vinhas, da geometria dos jardins, da luz oblíqua que atravessa as sebes ao fim da tarde. Beber este vinho é continuar a visita por outros meios, é estender o passeio até ao copo.
Produzido com uvas selecionadas da Casa de Santar, um dos nomes mais antigos e respeitados do Dão, este vinho carrega consigo a elegância da região. A sua frescura e equilíbrio não vêm apenas do clima e do solo, vêm também da história contida nas pedras, dos ciclos respeitados, das mãos que conhecem as videiras como quem conhece um caminho de cor.
A gama é simples, honesta e precisa:
- Um branco com acidez fina e expressão mineral,
- Um tinto robusto e polido,
- E um rosé que sabe quando ser discreto e quando surpreender.
Não são vinhos feitos para distrair. São vinhos com presença, pensados para elevar uma refeição, acompanhar uma conversa, ou marcar o início de uma memória que merece ser guardada.
Pode encontrá-los no centro interpretativo da vila, em lojas especializadas ou online, através do site oficial: santarvilajardim.pt/vinhos
Mas Santar não se serve apenas à mesa, percorre-se com todos os sentidos. E talvez por isso, ao regressar, cada trago deste vinho traga consigo mais do que sabor: traga a memória da luz nos jardins, o som das folhas sob os pés, o perfume da terra quente. Como se a vila, discreta mas presente, continuasse ali, dentro do copo, e dentro de quem a viveu.
Os jardins de Santar: a alma da vila ao ar livre
Em Santar, os jardins não são apenas espaços de recreio, são capítulos vivos da história da vila.
Cada um tem o seu traço, o seu ritmo, a sua memória. Juntos, formam o coração do projeto Santar Vila Jardim, um percurso contínuo por diferentes propriedades senhoriais que se abriram à partilha e ao vagar de quem visita.
🌸 Jardim dos Linhares Ibérico Nogueira
Situado numa cota elevada, este jardim parece nascer entre o céu e a terra. Pertencente à Casa dos Linhares, tem vista ampla para os vinhedos, para a Serra da Estrela ao fundo e para a Casa dos Condes de Santar e Magalhães, quase como se o olhar pudesse atravessar gerações.
Estende-se por cerca de 8.500 m², com pomares, hortas, cosmos e papoilas entre caminhos de lavanda e vinha. Há uma pérgula de glicínias em ferro e granito, construída para unir este jardim ao dos Linhares Santar e Magalhães. Mas o mais surpreendente é talvez o espírito comunitário: aqui, famílias da vila cultivam hortas biológicas em parcelas desenhadas por Fernando Caruncho, um gesto de ligação profunda entre paisagem e pertença.
🌿 Jardim da Casa dos Condes de Santar e Magalhães
É o mais cénico e histórico de todos, com origem nos séculos XVII e XVIII. Inspirado nos modelos clássicos italianos, este jardim equilibra a geometria formal com a sensualidade do barroco português.
Os patamares prolongam-se em buxos recortados, roseiras antigas, alamedas de camélias, glicínias em caramanchões e azulejos que refletem a luz e a memória. A Fonte dos Cavalos, com tanque e lago em elipse, é o centro líquido de um espaço onde o som da água molda o silêncio.
A proximidade entre casa e jardim, típica da quinta de recreio portuguesa, faz deste lugar uma extensão do quotidiano, onde o utilitário e o belo coexistem. E no ar, flutua o aroma dos limoeiros encostados à fachada.
🌳Jardim da Casa da Magnólia
Vizinho do jardim anterior, deve o nome à magnólia centenária que o domina. Propriedade da família Pinto Portugal, é um espaço mais contido, mas não menos expressivo. Entre cameleiras, tanque de granito e carreiras ladeadas de buxo, encontra-se também uma nova vinha-jardim. A escada coberta de jasmim que liga este jardim à Casa dos Condes de Santar é um gesto de ligação física e poética entre mundos.
🌲Jardim do Valverde Santar Hotel & Spa
Antiga Quinta das Fidalgas, hoje transformada em boutique hotel, oferece uma das experiências mais amplas e sensoriais do percurso.
Ao entrar, somos recebidos pela Fonte da Torre, datada de 1789, e conduzidos por uma alameda majestosa onde crescem carvalhos americanos, liquidâmbares, sobreiros, sequoias, castanheiros-da-índia e outras árvores nobres.
O jardim formal, com pérgula de roseiras, tanques em escada e lago central, é complementado por uma vinha em ondulação suave, desenhada para dialogar com a paisagem. No ponto mais alto, um quiosque panorâmico permite ver, num único olhar, a vinha, a vila e, ao fundo, a Serra da Estrela.
🍊 Jardim dos Linhares Santar e Magalhães
Mais pequeno e intimista, este jardim de buxo encontra-se a norte da Casa dos Condes de Santar e Magalhães.
Possui quatro quadras separadas por caminhos, preenchidas por laranjeiras e lavandas, com um elemento de água circular ao centro: uma mó de granito vinda dos antigos lagares da casa.
O acesso faz-se por um portão discreto. Uma pérgula coberta de glicínias liga este espaço ao jardim dos Linhares Ibérico Nogueira, num gesto de continuidade pensado por Caruncho.
🏞 Jardim da Santa Casa da Misericórdia
Junto à igreja construída em 1637, este jardim funciona como um belvedere natural sobre vinhas e sobre a Serra da Estrela.
Entre cameleiras, ciprestes, abetos e uma monumental Araucária araucana, ergue-se no fundo um cruzeiro alpendrado, de planta quadrada, com colunas toscanas e a imagem de Cristo crucificado. Um espaço de contemplação profunda, onde o religioso se mistura com a beleza da paisagem e o respeito pela memória da vila.
Visitar os jardins: como, quando, quanto tempo
- Duração da visita: entre 1h30 e 2h30, ao ritmo do visitante
- Estação ideal: primavera e outono, mas cada época revela uma luz distinta
- Acessibilidade: a maioria dos percursos é confortável, com zonas adaptadas
- Bilhetes: disponíveis no centro interpretativo de Santar
Este percurso não é apenas um passeio. É um exercício de atenção. E talvez o maior elogio que se possa fazer a um jardim seja este: que ele nos tenha feito abrandar.
Património histórico e religioso
A zona histórica de Santar não se impõe. Estende-se como um tapete irregular de granito, onde cada rua parece ter sido desenhada mais pelo uso do que por qualquer plano. As casas seguem o traçado antigo, as esquinas surgem como desvios naturais, e os sons, raros, mas presentes, fazem parte da paisagem tanto quanto a pedra.
Neste emaranhado tranquilo, os sinais do tempo são visíveis mas não gritados. A Igreja Matriz ergue-se sem exagero, discreta na sua presença, sólida como quem sempre ali esteve. O interior é sóbrio, mas guarda peças de arte sacra e uma luz que atravessa as janelas com humildade. Não se vai ali para se impressionar. Vai-se para compreender.
Mais acima, a Capela de São Sebastião marca o território com um miradouro que recompensa quem sobe. A vista abre-se sobre os telhados da vila, as vinhas, a geometria viva dos jardins. E ao lado, o cruzeiro em pedra permanece, como tantos outros em Santar, não como um símbolo imposto, mas como memória de um tempo em que o sagrado e o quotidiano não tinham ainda aprendido a separar-se.
Espalhados pela vila, cruzeiros, fontes e pelourinhos contam histórias mais subterrâneas. A fonte que ainda corre, a pedra desgastada pelas mãos e pelos cântaros, o pelourinho que já não castiga, mas relembra. Estes marcos estão onde sempre estiveram, e talvez por isso passem despercebidos. Mas quem caminha com atenção acaba por os ver, e vê-los é parte do processo de conhecer a vila por dentro.
Onde comer em Santar
Em Santar, até a comida parece seguir o ritmo da vila, sem pressa, sem ruído, com uma atenção paciente ao detalhe. Comer aqui é mais do que alimentar-se. É prolongar a visita através do paladar. É encontrar no prato a mesma harmonia que se encontra nos jardins, nas vinhas e nas casas antigas.
Os lugares não se anunciam com néon. Estão lá, à espera de quem chega com tempo.
Paço dos Cunhas
No coração de Santar, o Paço dos Cunhas é mais do que um restaurante, é uma extensão do território vínico e cultural da vila. Inserido num edifício histórico do século XVII, oferece uma cozinha que combina técnica contemporânea com ingredientes locais. Cada prato parece conversar com os vinhos que o acompanham. Aqui, o vinho da Casa de Santar não é um complemento, é um protagonista com memória.
Memórias Santar
No Memórias Santar, a proposta é clara: trazer para a mesa sabores que tenham raízes. Há uma elegância contida na forma como cada ingrediente é tratado, como se a intenção fosse respeitar mais do que reinventar. O ambiente é acolhedor e o serviço convida à pausa, à conversa longa, ao prazer de não ter pressa.
Taverna de Santar
Mais informal, mas não menos autêntica, a Taverna de Santar é o tipo de lugar onde ainda se sente o cheiro da lenha e o som ritmado dos talheres. Os pratos são generosos, os sabores intensos, e a simpatia é o ingrediente que vem primeiro. Ideal para quem procura uma refeição com sotaque local e uma dose saudável de rusticidade.
O Figueiras
À entrada da vila, O Figueiras é discreto por fora e surpreendente por dentro. A carta equilibra tradição e conforto, com pratos bem servidos e temperos de quem conhece a cozinha regional. É o sítio certo para quem quer saborear o lado mais caseiro da Beira, sem perder o enquadramento paisagístico que Santar oferece a cada refeição.
Comer em Santar é continuar a viagem. Só que agora, o percurso faz-se de aromas, texturas e sabores, muitos dos quais nascem ali mesmo, entre os muros da vila.
Onde dormir em Santar
Há lugares onde dormir é apenas um intervalo entre dois dias. Em Santar, é parte do próprio percurso. Aqui, o descanso tem lajes antigas, móveis com memória e janelas que se abrem para vinhas, jardins ou silêncios. Ficar a dormir é aceitar o convite para não partir logo. Para deixar o corpo repousar no mesmo compasso com que a vila se move.
Valverde Santar Hotel & Spa – Relais & Châteaux
Instalado na antiga Quinta das Fidalgas, hoje transformada num hotel de luxo integrado na rede Relais & Châteaux, o Valverde Santar Hotel & Spa oferece o equilíbrio raro entre conforto contemporâneo e paisagem vivida. Os jardins do hotel fazem parte do percurso Santar Vila Jardim, com vinhas ondulantes, tanques antigos, pérgulas de roseiras e um quiosque panorâmico onde o olhar se demora.
Os quartos são espaçosos, o spa é discreto, e o pequeno-almoço chega como deve ser: com vagar, sabor e vista.
Casa Poesia – Santar
Há nomes que não enganam. A Casa Poesia é aquilo que promete, um lugar com alma. Com interiores cuidadosamente restaurados, um terraço com vista para a Serra e um ambiente intimista, é o tipo de alojamento onde se chega com vontade de pousar as malas… e não sair logo a seguir.
Fica mesmo no centro da vila, o que permite explorar os jardins e solares a pé, ao ritmo do silêncio.
Casa Prosa – Santar
Discreta, acolhedora e com uma atmosfera familiar, a Casa Prosa faz justiça ao nome: aqui, tudo parece contado com simplicidade e afecto. É ideal para quem procura conforto com personalidade e uma base para explorar Santar sem filtros, a pé, com tempo, como se fosse da casa.
Alojamentos perto de Santar
Se não houver disponibilidade dentro da vila, vale a pena olhar para opções a poucos quilómetros.
- A Quinta da Fata, entre vinhas e oliveiras, oferece piscina e uma calma rural que prolonga a experiência da vila.
- O Solar de Vilar Seco, casa senhorial adaptada, conjuga tradição e elegância, com quartos amplos e pequenos-almoços demorados.
Ficar em Santar é mais do que garantir um teto. É aceitar que o verdadeiro luxo está no silêncio, na pedra que guarda o fresco, e na manhã que começa devagar, como tudo aqui.
Informações úteis para a visita
Em Santar, até os horários parecem saber esperar. A vila não se visita por conveniência. Visita-se por escolha. E essa escolha ganha outra dimensão quando descobrimos que o projeto Santar Vila Jardim oferece mais do que um percurso entre jardins, oferece experiências completas, pensadas ao detalhe, para quem quer entrar verdadeiramente no espírito do lugar.
🗓 Quando visitar?
Primavera e outono são as estações de ouro: a luz é oblíqua, os jardins floridos, as sombras longas e frescas.
Mas o inverno, com os ramos despidos e a vila quase vazia, revela uma beleza mais crua. E o verão traz o calor maduro das vinhas e os perfumes das roseiras.
⏳ Duração da visita
Depende da experiência que escolhes viver.
Há percursos livres de 1h30, visitas guiadas com prova de vinhos e petiscos regionais que duram 3 horas, e até experiências personalizadas que podem ocupar um dia inteiro. Aqui, o tempo não se mede, estende-se.
🎟 Tipos de visita (programas disponíveis)
1. Jardins & Casa
Visita guiada à Casa dos Condes de Santar e Magalhães (com Sacristia, Capela, Sala dos Coches, loggia e cozinha antiga), seguida de percurso completo pelos jardins e passagem pela adega.
🕒 Duração: 2h30 | 💶 30€/pax
🕤 Horários: 10h30 ou 15h00
👶 Crianças até 10 anos: grátis | Jovens até 18: 15€
2. Jardins Gourmet & Casa
Visita completa + prova de vinhos e degustação gourmet: vinhos Memórias de Santar (tinto e branco), queijo Serra da Estrela, presunto, paio, alheira, pão, legumes da horta.
🕒 Duração: 3h00 | 💶 120€/pax
🕤 Horário: 10h30 | Jovens até 18: 60€
3. Jardins
Visita simples aos jardins históricos, hortas, vinha e maquete do projeto.
🕒 Duração: 1h30 | 💶 20€/pax
🕤 Horários: 10h30 ou 15h00 | Jovens até 18: 10€
4. Jardins Tailor Made
Experiência sob medida: almoço na loggia com vista para a Serra da Estrela, visita privada com a família fundadora, provas comentadas com o enólogo Pedro Vasconcellos e Souza.
🕰 Sob consulta | 💬 Personalizado
🔗 Reservas e detalhes: santarvilajardim.pt/programas-santar-vila-jardim
♿ Acessibilidade e percurso
O percurso está pensado para ser confortável e acessível, ainda que algumas zonas incluam pequenos desníveis, escadas ou caminhos em terra batida.
A maioria dos jardins está adaptada com passagens largas, bancos e zonas sombreadas. A visita pode ser feita de forma livre ou acompanhada por guia, sempre com partida no Centro Interpretativo.
🧭 Ponto de partida: Centro Interpretativo
Antes de iniciar o percurso, recomenda-se uma paragem no Centro Interpretativo Santar Vila Jardim. É ali que tudo começa:
- Compra de bilhetes
- Loja com artigos locais
- Informações sobre o percurso
- Possibilidade de reservar experiências complementares
Em Santar, até a logística tem a sua própria cadência. Aqui, tudo está desenhado para que a visita seja sentida, mais do que seguida. Sapatos confortáveis, olhos atentos e tempo no bolso, é tudo o que precisa.
O que visitar perto de Santar
Santar convida a ficar, mas não impede de partir. Pelo contrário, há qualquer coisa na forma como a vila se apresenta que nos predispõe a olhar o mapa com mais curiosidade, como se o seu silêncio abrisse espaço para outras vozes, logo ali ao lado.
Caldas da Felgueira: o descanso moldado pela água
A menos de 15 minutos de carro, encontra-se um lugar onde o tempo não corre, escorre. As Caldas da Felgueira oferecem uma experiência termal com raízes fundas na história da região. Há quem vá pelas águas. Outros, pelo sossego. E há quem vá e não saiba bem porquê, apenas sente que precisa de parar.
Serra da Estrela: o horizonte que nos observa
Mais a oriente, a Serra da Estrela ergue-se com a firmeza de quem está ali desde sempre. É presença constante no horizonte de Santar, e também um convite. O seu interior guarda vales glaciares, lagoas, aldeias que desafiam o tempo e trilhos onde o corpo e a paisagem se reaproximam.
Se houver tempo (e vontade), passar um ou dois dias na serra pode dar à viagem um novo ritmo, mais agreste, mais vasto, mas ainda assim sereno.
Viseu e Carregal do Sal: entre história urbana e herança discreta
A norte, Viseu aguarda com o seu casario bem desenhado, museus, esplanadas e uma elegância contida. Uma cidade que sabe receber sem exagero, perfeita para um passeio mais urbano após dias no campo.
A sul, Carregal do Sal e as suas freguesias guardam histórias discretas, tradições familiares, paisagens agrícolas e o tipo de património que se encontra sem estar à procura.
À volta de Santar não há propriamente destinos. Há extensões do mesmo estado de espírito.
Lugares onde a terra, a pedra, a água e o tempo continuam a conversar. E nós, por uns dias, podemos escutar.
Quando o silêncio de uma vila se transforma em memória
Em Santar, a beleza não se mostra, insinua-se. Está nas coisas pequenas: uma janela semiaberta, uma vinha a perder-se atrás do muro, um banco de pedra gasto pelo tempo. Está também no que não se diz. No que apenas se percebe com o corpo quieto e o olhar atento.
Percorrer Santar é descobrir que o silêncio pode ter textura. Que os jardins podem ser mapas da memória. Que as casas antigas não são apenas edifícios, são vozes baixas que nos contam como era, e como ainda é, viver com ligação à terra.
A certa altura, sem darmos por isso, deixamos de visitar a vila. Começamos a fazer parte dela. Caminhamos com mais lentidão, reparamos no som das folhas secas sob os pés, levantamos os olhos para perceber de onde vem a luz.
E mesmo quando partimos, Santar vem connosco. Não como um lugar que deixámos para trás, mas como um ritmo que ficou cá dentro. Um compasso novo, mais lento, mais atento, mais inteiro.
Guia completo: O que visitar em Portugal
Portugal é feito de lugares com alma, das aldeias perdidas nas serras aos miradouros junto ao mar, de festas populares a trilhos silenciosos. Neste guia completo, encontras sugestões por região, estação do ano e tipo de viagem. Um ponto de partida para descobrir o país… ao teu ritmo.

Serviços de Fotografia
Tapa ao Sal
Temos ao seu dispor uma equipa com serviços de fotografia profissional, para capturar a sua história de forma autêntica e inesquecível.
Santar Vila Jardim em imagens
Fragmentos de luz, sombra e silêncio.
Nesta galeria reunimos pequenos momentos captados ao longo dos caminhos, entre jardins e muros de granito, entre flores e vinhas, entre passado e presente.
Cada fotografia é um convite a caminhar mais devagar. E talvez, a marcar já a próxima visita.
Perguntas frequentes sobre Santar Vila Jardim
O que fazer em Santar?
Santar convida a um passeio lento por jardins históricos, casas senhoriais e ruas de pedra antiga. Pode visitar os jardins do projeto Santar Vila Jardim, explorar a zona histórica, participar em visitas guiadas, fazer provas de vinho, descobrir património religioso e desfrutar da gastronomia local em restaurantes com identidade.
O que é o projeto Santar Vila Jardim?
É um projeto cultural e paisagístico que uniu vários jardins privados históricos da vila de Santar, criando um percurso contínuo por quintas, hortas, vinhas e casas nobres. Idealizado por José Luís de Vasconcellos e com traço do arquiteto paisagista Fernando Caruncho, é um exemplo único de vila-jardim em Portugal.
Onde é produzido o vinho “Santar Vila Jardim”?
O vinho Santar Vila Jardim é produzido com uvas da Casa de Santar, uma das propriedades mais antigas e prestigiadas da região do Dão. O vinho reflete a elegância do território e está disponível para prova no centro interpretativo e em experiências vínicas na vila.
Posso visitar os jardins em qualquer altura do ano?
Sim. Os jardins estão abertos ao longo de todo o ano, com visitas disponíveis de terça-feira a domingo, em dois horários diários (10h30 e 15h00). A primavera e o outono são as estações mais recomendadas, mas cada época tem o seu encanto próprio.
Onde ficam a Casa de Santar e o Palácio de Santar?
A Casa de Santar e Magalhães localiza-se no centro da vila e é uma das principais casas senhoriais de Santar. É visitável no âmbito dos programas “Jardins & Casa” e “Jardins Gourmet & Casa”.
Já o chamado “Palácio de Santar” é frequentemente uma designação informal para esta mesma casa nobre.Santar é uma boa escolha para um fim de semana?
Sim, especialmente para quem procura calma, autenticidade e beleza discreta. Um fim de semana permite explorar os jardins com vagar, provar os vinhos da região, visitar o património local e ainda conhecer as Caldas da Felgueira ou a Serra da Estrela, que ficam muito próximas.
Partilhe a sua experiência… ou inspire outros a descobrir Santar Vila Jardim!
Já percorreu os jardins secretos por entre muros de pedra? Sentou-se num banco de buxo ao fim da tarde, escutando o silêncio da vila? Visitou a Casa dos Condes de Santar, provou o vinho que leva o nome do lugar e sentiu que ali o tempo tem outro ritmo?
Conte-nos nos comentários como foi a sua visita. A sua partilha pode ser o impulso que alguém precisa para descobrir esta vila-jardim única, onde história, natureza e sensibilidade se entrelaçam.
Se este artigo lhe foi útil, partilhe-o com quem gosta de viajar devagar, com quem procura lugares genuínos e beleza sem pressa. Pode ser alguém que aprecia património, vinhos com alma ou apenas a arte de bem viver.
Santar não se visita, sente-se.
Quanto mais deixamos que o lugar nos abrace, mais ele nos devolve: em sombra fresca, em perfume de rosmaninho, em silêncio habitado de histórias.



















































