O Tejo, aqui, já não é o rio largo e cansado que conhecemos a jusante. Ainda corre com ânimo, espremido por encostas bravas, curvas apertadas e silêncios quase sagrados. Entre Belver e Gavião, estende-se um percurso que não é apenas uma caminhada, é uma travessia entre tempos. Passado e presente, pedra e água, silêncio e respiração.
O PR1 – Arribas do Tejo não grita por atenção. Não há multidões, nem filas, nem letreiros luminosos. Há só o som dos passos na terra, a sombra quente das oliveiras e a companhia discreta do rio, que nos observa sempre do fundo do vale.
Há trilhos que se fazem com os pés. Outros, como este, fazem-se com os sentidos.
E há momentos: o castelo que vigia desde as alturas, a ponte metálica que suspira história, o passadiço de madeira que beija a margem como quem não quer acordar a paisagem. Cada curva oferece uma nova pintura, e cada pedra parece guardar um segredo.
Este é um daqueles lugares onde o tempo anda devagar, e ainda bem.
Para quem é este trilho?
Se procura um percurso pedestre onde a paisagem é tão rica quanto a história, o PR1 – Arribas do Tejo é uma das rotas mais surpreendentes do Alto Alentejo. Ao longo de cerca de 13 km, entre Gavião e Belver, caminha-se por encostas, pontes, miradouros e passadiços com o Tejo como fiel companheiro.
O cenário alterna entre património histórico, registos arqueológicos e momentos de silêncio absoluto, só interrompidos pelo som da água e do vento entre as árvores. Este trilho é perfeito para quem quer caminhar com tempo, descobrir segredos do território e sentir o pulsar da paisagem alentejana.
Dica de viagem: Combine esta caminhada com um mergulho na Praia Fluvial do Alamal ou com uma refeição num dos espaços que destacamos no artigo Restaurantes no Gavião: entre o Tejo, a tradição e o prato, onde reunimos sugestões com sabor e identidade.
O que é o PR1 – Arribas do Tejo?
O PR1 – Arribas do Tejo é uma pequena rota circular oficialmente sinalizada, integrada na rede de percursos do município de Gavião. Foi pensado para caminhar ao ritmo da paisagem, ligando a vila medieval de Belver à sede do concelho, Gavião, e regressando ao ponto de partida por caminhos distintos.
Ao longo do trilho, o visitante encontra paisagens fluviais, elementos do passado rural, vestígios megalíticos e um dos passadiços mais bonitos do país, tudo isto com o rio como pano de fundo.
📍 Distância total: ~13 km
🟡 Marcas de percurso: PR (amarelo/vermelho)
🎒 Nível de dificuldade: Moderado
🕓 Duração estimada: 4 a 5 horas
🌿 Melhor época: Primavera e Outono
Mapa e planeamento do percurso
O início recomendado é em Belver, junto ao castelo. A rota pode ser feita em ambos os sentidos, mas sugerimos o seguinte:
➡️ Sentido recomendado:
Belver → Ortiga → Alamal → Gavião → Belver
Este trajeto permite aproveitar melhor a luz, a disposição dos miradouros e terminar o percurso com o passadiço do Alamal e a subida final até ao castelo, fechando com chave de ouro.

O que vai encontrar no caminho?
Castelo de Belver
Ponto de partida (ou de chegada) com história. O castelo domina o alto da vila e oferece uma das vistas mais icónicas do Tejo. Vale a pena reservar uns minutos para o visitar.
→ Leia o nosso artigo sobre o Castelo de Belver
Anta do Penedo Gordo
Um tesouro arqueológico quase escondido entre a vegetação: uma anta com milhares de anos que testemunha a presença humana na região desde o Neolítico.
Travessia da Ortiga
Nesta zona, o trilho cruza a linha férrea. Com o devido cuidado, pode parar um pouco na Praia Fluvial da Ortiga para descansar ou fazer uma pequena pausa à sombra.
Passadiço do Alamal
Momento alto da caminhada. Um passadiço de madeira sobre o Tejo, com o castelo em fundo e a água a correr ao lado. A sensação é a de estar dentro de um postal ilustrado. O passadiço estende-se por quase dois quilómetros e é acessível a todos.
Lagar da Fraga
Ruínas de um antigo lagar de azeite, memória do tempo em que a agricultura ditava o ritmo da vida nesta zona do Alentejo. Um bom lugar para parar e contemplar.
Fonte Velha (Gavião)
Na parte final do percurso, já próximo da vila de Gavião, surgem esculturas contemporâneas ao ar livre, que estabelecem um diálogo interessante entre o antigo e o moderno.
Dicas práticas para quem vai fazer o PR1
- 🚰 Leve água suficiente: o trilho não tem pontos garantidos de reabastecimento
- 👟 Use calçado adequado: o terreno é variado e inclui troços irregulares
- 🌞 Leve protetor solar e chapéu: há muitas zonas expostas ao sol
- 🥪 Leve lanche ou planeie uma refeição ao terminar.
Uma boa sugestão é visitar um dos espaços incluídos na nossa seleção de restaurantes no Gavião.
Onde comer e descansar
🍴 Restaurantes no Gavião
Depois de uma caminhada com vista, merece uma refeição com sabor. No concelho do Gavião há lugares que sabem receber e cozinhar com alma.
Reunimos algumas sugestões no artigo Restaurantes no Gavião: entre o Tejo, a tradição e o prato, onde destacamos espaços com boa comida, ligação ao território e ambientes que convidam a ficar mais um pouco.
🏖️ Praia Fluvial do Alamal
Se for primavera ou verão, termine o trilho com um mergulho ou um momento de descanso na Praia Fluvial do Alamal. Entre areia fina, águas calmas e vista para o castelo, é um cenário perfeito para parar o tempo, por uns minutos ou por toda a tarde.
Conclusão
O PR1 – Arribas do Tejo é mais do que um percurso, é uma aula de geografia viva, um reencontro com o silêncio e uma celebração do património que o Tejo ajuda a preservar. Ao longo de cada quilómetro, descobre-se não só o território, mas também a tranquilidade que tantas vezes nos escapa.
Uma caminhada que se faz sem pressa e se guarda com nitidez na memória. Com o Tejo ao lado, tudo parece mais calmo. E mais bonito.

Serviços de Fotografia
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Álbum de fotografias: PR1 – Arribas do Tejo
Perguntas frequentes sobre o PR1 – Arribas do Tejo
O percurso é circular ou linear?
É um percurso circular. Pode começar tanto em Belver como em Gavião, embora o início em Belver seja o mais recomendado para aproveitar melhor os pontos altos do trilho.
Qual a distância total e quanto tempo demora?
O trilho tem cerca de 13 km e demora entre 4 a 5 horas a ser feito com calma, incluindo paragens para descanso e contemplação.
É preciso fazer o percurso todo de uma vez?
Não. Pode ser feito por etapas ou até adaptado, por exemplo, apenas o passadiço do Alamal, que é acessível e mais curto.
É adequado para crianças?
Sim, desde que estejam habituadas a caminhadas e acompanhadas por adultos. Há zonas com desnível e terreno irregular, pelo que não é indicado para carrinhos de bebé.
É acessível a pessoas com mobilidade reduzida?
Infelizmente, não. O percurso inclui zonas de terra batida, escadas, pedras soltas e passagens estreitas.
O trilho está bem sinalizado?
Sim. Está marcado com as cores amarelo e vermelho (sinalética oficial de Pequena Rota – PR). Ainda assim, recomendamos levar o ficheiro GPX ou usar uma app de trilhos como Komoot ou AllTrails.
Pode fazer-se de bicicleta?
Não é aconselhável. Algumas partes do percurso são técnicas, com escadas, degraus naturais e passadiços estreitos.
Há zonas com sombra?
Sim, mas também há troços muito expostos ao sol. Leve chapéu, protetor solar e muita água — especialmente nos meses mais quentes.
Há cafés ou pontos para abastecer água durante o percurso?
Não. É um percurso de natureza, sem cafés nem fontes garantidas ao longo do caminho. Leve o que precisar consigo.
Posso levar o meu cão?
Sim, desde que o leve com trela e tenha atenção às zonas mais expostas ou técnicas. Traga também água para ele.
É seguro atravessar a linha de comboio na Ortiga?
Sim, mas com atenção redobrada. A travessia é feita por uma passagem pedonal, mas o cuidado nunca é demais.
É possível pernoitar na zona?
Sim. Há alojamentos em Belver, Gavião e nas imediações da Praia Fluvial do Alamal. É um bom ponto de base para explorar a região com tempo.
Já percorreu o PR1 – Arribas do Tejo?
Conte-nos como correu nos comentários. O que mais gostou, onde parou, ou que dicas daria a quem vai pela primeira vez.
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