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Manuel Neto dos Santos – 11ª Publicação

CADERNO DE MONTE BOI E OUTROS VERSOS QUE ME CHAMAM COMO VOZES

Entendo, pois, agora a voz imperatriz

Pedindo-me que eu cante a alma que já foi

Dos líricos espaços aqui, por Monte Boi,

De uma anciã saudade serena, e tão feliz.

Entendo o chamamento do telurismo abstracto;

Um murmúrio do tempo que para aqui me trouxe…

E eu ando pela aldeia, assim como se fosse

Humilde camponês, irmão de algum regato.

Desenho, com os passos, ao longo do pinhal

Uma vereda estreita… e a várzea lá ao fundo,

E os soluços dos montes; São Marcos, todo o mundo

E, a Sul, o azul do mar recorta o areal.

Contemplo estes valados e um “ não sei quê” de espanto

Habita a minha alma perante a perfeição

O aprumo destas pedras, muralhas que aqui estão

Pela força dos braços desses homens de “ há tanto”.

Há uma voz do sangue que traz, e me segreda,

De volta ao simples berço do étimo lugar

Para que em minha alma eu possa retratar

Os versos que concebo…e entrego, em almoeda.

Loja, 17 Junho 2016, 9,25 h

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Fotografia ilustrativa – Caminho, Azenhas do Mar – Autor: Sérgio Santos

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Manuel Neto dos Santos
Poeta, actor, declamador, tradutor, poliglota. Nasceu em Alcantarilha- (Silves-Algarve) - a 21 de Janeiro de 1959. Activista cultural desde a adolescência. Figura incontornável na moderna poesia portuguesa.

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