Nos dias de hoje, há algo profundamente libertador em caminhar sem um destino exato. Em tempos de mapas digitais e rotas traçadas por algoritmos, perder-se intencionalmente no campo é quase uma subversão. Decidimos, então, num fim de semana recente, deixar para trás as obrigações e explorar as terras que nos rodeiam, sem pressa, com a companhia constante do céu, da natureza, e da nossa fiel Fujifilm X-E3. Já conhecemos bem o concelho de Alenquer, mas este passeio prometia ser diferente. Afinal, é nas terras que conhecemos de cor que, por vezes, descobrimos o que é verdadeiramente essencial.

A surpresa de Alenquer
Alenquer, esta região que nos abraça, continua a surpreender-nos, e talvez por isso seja tão inspiradora para o Tapa ao Sal. Por entre vales e vinhas, encontrámos, naquele dia, um sobreiro protegido, como uma sentinela do tempo, observando a Serra do Montejunto. A sua copa imponente estendia-se sobre nós, e o seu tronco robusto, marcado pelo tempo, era o testemunho silencioso da história que as suas raízes contavam. A vista dali era deslumbrante, com vinhas que se perdiam no horizonte, como uma manta verde, em direção à serra.
Pegadas de javali: A natureza resiliente
Não foi apenas a paisagem que capturámos com a nossa máquina. Ali, ao lado do sobreiro, estavam as pegadas recentes de javalis, uma recordação de que, mesmo tão perto de zonas urbanas, a vida selvagem continua a fazer parte deste lugar. A presença dos javalis fez-nos refletir sobre o equilíbrio entre a natureza e a urbanização, algo que Alenquer, com a sua dualidade campo-cidade, sabe bem como manter.

O sobreiro: Uma árvore monumental
O sobreiro que encontramos, de nome científico Quercus suber, é uma árvore emblemática de Portugal e um dos símbolos da nossa riqueza natural. Estas árvores podem viver mais de 500 anos, o que as torna verdadeiros monumentos vivos, protegidos por lei desde o século XIII. O seu tronco é coberto pela espessa cortiça, usada tradicionalmente para a produção de rolhas e outros produtos artesanais.
Além de ser uma fonte de matéria-prima valiosa, o sobreiro desempenha um papel fundamental no ecossistema. Protege o solo, ajudando a prevenir a erosão, e as suas bolotas são uma importante fonte de alimento para a fauna local. A presença desta árvore é, por si só, um testemunho da resiliência da natureza e do valor que Alenquer dá à preservação do seu património natural.
Ligação à terra: O petisco que celebra a região
Depois de uma caminhada rica em descobertas, decidimos que o final do passeio merecia uma celebração. Voltámos para casa, mas a nossa ligação com a terra não ficou para trás. Prolongámos o momento com um petisco que tivesse o mesmo espírito da descoberta – algo simples, mas profundamente enraizado nas tradições e nos sabores de Alenquer. Afinal, o Tapa ao Sal sempre celebrou esta ligação entre o local e o universal, entre o quotidiano e o excecional.
Abrimos uma garrafa de vinho monocasta Sousão de 2019, da Casa Santos Lima, e o aroma da terra misturou-se com o ar de fim de tarde. O pão torrado de massa mãe, que nós próprios fizemos, trouxe à mesa o sabor da farinha da moagem Paulino Horta, uma pequena, mas importante, peça do puzzle rural de Alenquer. Esta moagem, situada perto do sobreiro que descobrimos, simboliza a continuidade da tradição e do respeito pelo trabalho artesanal, algo que tanto valorizamos no Tapa ao Sal.
Sabores de tradição
Juntámos ao pão, ovos rotos com presunto de porco preto, e camarão selvagem frito. Simples, mas autêntico. Assim como o sobreiro que encontramos no meio do caminho, estes ingredientes falam de uma terra rica, uma terra que oferece, uma terra que se dá a quem a compreende. Cada prato que saboreámos foi mais do que um petisco; foi um símbolo do que Alenquer representa para nós: tradição, autenticidade e proximidade.
Refletindo sobre o passeio: A conexão entre homem e natureza
Ao terminar o nosso petisco, sentámo-nos a apreciar a beleza da simplicidade. Talvez seja esse o segredo do Tapa ao Sal: valorizar o que é autêntico, o que é verdadeiro. Aquele sobreiro, as pegadas dos javalis, as vinhas a caminho da Serra do Montejunto – tudo se funde numa imagem de ligação entre o homem e a terra. E é isso que queremos partilhar com quem nos lê. Este passeio não foi apenas uma caminhada; foi uma afirmação do que somos e do que acreditamos.
Queremos, com este artigo, convidar quem nos lê a percorrer estas terras e a ver para além do óbvio, a descobrir a beleza que existe nos detalhes, nas histórias que o tempo e a natureza tecem juntos. No nosso blog, já temos um guia de Alenquer, onde partilhamos rotas e segredos desta região. Mas, para nós, Alenquer nunca se esgota. Há sempre algo mais para descobrir, para sentir e para viver.
Conclusão: O que levar desta experiência
Alenquer não é apenas um lugar no mapa; é um espaço de ligação. Entre o campo e a cidade, entre o passado e o presente, entre a terra e as pessoas. O Tapa ao Sal valoriza essa ligação, e é isso que queremos continuar a explorar nos nossos artigos. Quer seja através de uma caminhada ou de um petisco simples, queremos que quem nos lê se sinta parte desta terra que nos inspira diariamente.
Se ainda não exploraste Alenquer, deixamos-te aqui o nosso convite: consulta o nosso guia no blog e descobre o que esta região tem para te oferecer. Deixa-te perder, como nós nos perdemos, e descobre o que a terra tem para te contar.

Serviços de Fotografia
Tapa ao Sal
Temos ao seu dispor uma equipa com serviços de fotografia profissional, para capturar a sua história de forma autêntica e inesquecível.
Localização
O passeio foi realizado no concelho de Alenquer, uma região rica em paisagens naturais, onde se destaca o sobreiro protegido que encontramos. Com vista para vinhas e próximo da Serra do Montejunto, este local oferece uma combinação única de história natural e proximidade com a vida selvagem, como javalis. Alenquer é facilmente acessível e ideal para quem procura uma experiência autêntica no campo, a poucos minutos das áreas urbanas.
































