mns 2ª publicação

Manuel Neto dos Santos – 2ª Publicação

CADERNO DE MONTE BOI E OUTROS VERSOS QUE ME CHAMAM COMO VOZES
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Meus sonhos são mais altos que altivas catedrais,

basílicas do olhar, para além desta planura

do ramerrão da vida, na forma de loucura

que faz da minha alma diferente das demais.

meus sonhos são mais estranhos, nos dias de estranheza,

das horas, dos minutos, dos etéreos segundos

que são estes primeiros indícios de outros mundos;

afiando pináculos, granítica tristeza.

por isso, os sonhos meus são bússolas,

astrolábios pondo, nos lábios de astros, sorrisos infantis…

eu sonho a vida ao longe, na lonjura feliz,

recuso o rastejar dos torpes alfarrábios.

meus sonhos são mais altos que gaudís devaneios

num rendilhado abstracto para lancetar a aragem;

espadas de pedra ao alto, navalhas de coragem…

meus sonhos altaneiros, bem térreos meus receios.

S.B.MESSINES 24 Maio 16

Sé-Catedral-de-Évora---Poesia
Fotografia ilustrativa – Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção em Évora – Foto: Sérgio Santos

Neste meu ar de espanto a que se encosta o rosto

Dessas pequenas pausas a palpitar no peito…

Meus olhos são mendigos desse luar de Agosto

Sobre o meu corpo nu, na praia; amor perfeito.

Por ti, pequenas glórias ( aos poucos) consegui

Que a angústia da garganta me revestiu de areia…

Por isso, ainda hoje, te amo de mão cheia

Por isso, ainda agora, se vivo é só por ti.

Neste meu ar de espanto; nesta escrita secreta,

Rûnar que é doutros versos que chamam como vozes,

Avivo, na minha alma, memórias que o poeta

Me ajuda a não esquecer, pelos anos tão velozes.

Disseram que morreste… e algures, dentro de mim,

Morri mas não sei quanto, quanto vivo? Não sei.

Cresceu comigo o espaço e o espaço deserdei…

E assim foi minguando o espaço, até ao fim.

Neste meu ar de espanto, ostento a cicatriz

Com que se amarra o vento, e o vento se desata…

Sou fruto da ilusão, que outra ilusão não quis,

Que só pensando em ti a vida me retrata.

24 maio 16

Peniche-Poesia
Fotografia ilustrativa – Costa portuguesa em Peniche – Foto: Sérgio Santos

Relembro esse festim, no azul dos olhos teus;

azul só de lonjura quando de mim distante

e a chuva, em meu olhar, descendo por diante

saciando a triste boca com o sal da ferida, o adeus.

Difuso sentimento, de férrea nostalgia,

a tua ausência, em mim, é hoje o som estridente…

eu sinto um não sei quê mas já não sei quem sente,

dentro, da alma, o amor que o meu amor sentia.

Poesia_pôr-do-sol
Fotografia ilustrativa – Pôr-do-sol na Praia do Norte, em Nazaré – Foto: Sérgio Santos
Manuel Neto dos Santos
Manuel Neto dos Santos

Autor de importante e multifacetada obra poética, grande parte dela ainda inédita.

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Manuel Neto dos Santos
Poeta, actor, declamador, tradutor, poliglota. Nasceu em Alcantarilha- (Silves-Algarve) - a 21 de Janeiro de 1959. Activista cultural desde a adolescência. Figura incontornável na moderna poesia portuguesa.
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