Passadiço do Alamal junto ao rio Tejo, rodeado por rochas e vegetação no concelho do Gavião

Passadiço do Alamal, a sentir o rio Tejo

Entre a ponte de Belver e a praia do Alamal, percorre-se um dos trilhos mais belos à beira-Tejo. O passadiço do Alamal é natureza, história e silêncio. Um convite a caminhar devagar, com os olhos e com o coração.

Descubra um dos mais belos trilhos ribeirinhos de Portugal. O Passadiço do Alamal é mais do que um caminho de madeira à beira-rio: é um convite silencioso a abrandar o passo e a escutar o que tantas vezes esquecemos, o som das águas, o cricrilar dos grilos ao longe, o cheiro da terra quente, depois da chuva. Entre a ponte de Belver e a Praia Fluvial do Alamal, estende-se um percurso que acompanha o ritmo do Tejo, sinuoso e lento, como se o próprio rio quisesse contar-nos uma história.

Num final de tarde de 2016, quando ainda poucos sabiam do passadiço, o Tapa ao Sal fez-se à estrada. Sem pressa. Era outono, e as folhas caídas no caminho pareciam tapetes improvisados, ondulando sob os passos. O artigo que escrevemos nessa altura não era apenas um guia: era uma declaração de espanto. Espanto pelo que encontrámos e pelo que sabíamos que ali permanecia, à espera de ser descoberto.

Vista do passadiço do Alamal com o Castelo de Belver ao fundo, sobre uma colina verdejante
O passadiço do Alamal oferece uma vista privilegiada para o imponente Castelo de Belver, que acompanha discretamente a caminhada entre o Tejo e a serra. Autor: Sérgio Santos

O eco dessa primeira partilha percorreu as redes e chegou a milhares. Foi bonito ver o Alamal tornar-se destino, ver as pessoas partirem com vontade de sentir o mesmo. Mas a natureza, que dá, também retira. Em 2017, os incêndios apagaram cores e calaram sons. Quando voltámos, semanas depois, havia cinzas no ar e um silêncio pesado. Ainda assim, o caminho estava lá. Ferido, mas lá.

Hoje, o passadiço está inteiro de novo. Reconstruído. Mais do que isso: resiliente. E quem por ali passa leva agora não apenas a beleza, mas também a consciência de que cada trilho é um privilégio efémero. Por isso se caminha ali como quem agradece.

Como é o Passadiço do Alamal

Três quilómetros de madeira e silêncios, entre a ponte de ferro de Belver e a praia onde o Tejo parece adormecer. O Passadiço do Alamal não se impõe, convida. Não é uma estrutura que corta a paisagem, é uma linha que a acompanha, discreta, como quem caminha ao lado de um amigo antigo.

O percurso desenha-se na margem esquerda do Tejo, sempre rente à água, com lançamentos de escadas que sobem e descem como pulsações do terreno. Há corrimões de corda, vestígios de madeira gasta pelo tempo e pelo sol, e há uma beleza tranquila que nunca se oferece toda de uma vez.

Aqui, o Tejo não ruge, murmura. O som da água em movimento mistura-se com o farfalhar leve das árvores, com o chilrear das aves e o ranger suave da madeira sob os passos. A cada curva, o trilho abre-se para novas perspetivas: vales recortados, encostas onde o verde resiste e reflexos onde o céu se dobra.

Não é um percurso desafiante, mas pede atenção. Pede entrega. Não está preparado para quem se desloca em cadeira de rodas ou com mobilidade limitada, o que limita a experiência de muitos. Ainda assim, para quem pode segui-lo, o caminho torna-se mais do que um trilho: torna-se compasso.

Compasso do corpo e do pensamento.

Quando visitar e como se preparar

🗓️ Melhor época para visitar

O Passadiço do Alamal é daqueles caminhos que pedem estações de meia-luz:

  • Primavera: os campos transbordam de verde e flores espontâneas; o Tejo corre mais cheio, mais vivo.
  • Outono: folhas secas tremem ao primeiro vento, cobrindo o trilho de dourados e ocres, como se o caminho fosse tecido em seda antiga.
  • Verão: caminhe de manhã cedo (com o orvalho a brilhar na madeira) ou ao final da tarde (com o sol a esconder-se atrás das encostas).
  • Inverno: traz o contraste entre a calma do rio e o frio que morde os dedos. Ideal para quem procura silêncio e introspecção.

🎒 O que levar

Para quem se prepara, não se trata apenas de levar objectos, mas de preparar o espírito:

  •  Leve água fresca numa garrafa leve. Vai saber-lhe a descanso.
  • Use calçado aderente, mas sobretudo silencioso. Vai querer ouvir o trilho.
  • Vista roupa leve e de tons claros. A paisagem reflecte-se melhor em quem nela se integra.
  • Leve uma máquina fotográfica ou o seu olhar atento. Porque o Passadiço do Alamal é também feito de detalhes fugazes: um reflexo, uma sombra, um voo repentino sobre o Tejo.

Nota final: mais do que uma caminhada, é uma disposição.

Pontos de interesse pelo caminho

Não é apenas a paisagem que faz do Passadiço do Alamal um lugar memorável, mas os detalhes que se revelam a quem caminha com olhos abertos e tempo interior.

🏰 Castelo de Belver

A cada curva, a silhueta do castelo acompanha-nos, ora surgindo imponente num promontório, ora espreitando entre ramos. Há algo de medieval nesta presença constante, como se a caminhada fosse vigiada por uma história antiga. Mais do que um ponto de referência, é um companheiro de percurso. Saiba mais no nosso artigo sobre o Castelo de Belver.

🌉 Ponte de ferro da EN244

O começo ou o fim, consoante o lado em que se entra. Uma ponte trabalhada em ferro, com estrutura renovada mas alma de outros tempos. Cruzá-la a pé é atravessar um limiar: do quotidiano para a contemplação, da pressa para o vagar.

🌿 Ambiente natural envolvente

O ar cheira a esteva, rosmaninho e alfazema. As árvores murmuram com o vento, e os pequenos ramos estalam sob os pés como se o trilho tivesse voz. Aves sobrevoam silenciosas e, aqui e ali, surgem pequenas praias fluviais onde a vontade de parar se sobrepõe à vontade de seguir.

Há nestes pontos mais do que pontos. Há momentos. E cada um deles é uma pequena pausa dentro da caminhada maior.

A ligação ao PR1 – Arribas do Tejo

Para os que sentem que o passadiço sabe a pouco, há um prolongamento natural do caminho. O PR1 GAV – Arribas do Tejo é um percurso circular com cerca de 17 km que amplia a experiência, alargando horizontes e exigindo mais do corpo e do olhar.

Neste trilho maior, o Passadiço do Alamal é apenas o início de uma viagem que cruza margens e memórias. Há duas travessias: a ponte de ferro e a barragem de Belver, ambas com um simbolismo próprio. A primeira marca o ponto de entrada num território contemplativo; a segunda, quase no final, é como um rito de regresso.

O PR1 não é apenas mais longo. É mais variado, mais cru, mais solitário em certos troços. Mas é também mais revelador. Caminhá-lo é entregar-se à paisagem com tempo, aceitando a fadiga como parte da recompensa.

Se quiser conhecer todos os detalhes e preparar essa travessia mais longa, veja o nosso artigo dedicado ao PR1 – Arribas do Tejo.

Chegada à Praia Fluvial do Alamal

O fim do passadiço não é um ponto final, mas um suspiro. Após três quilómetros de madeira e murmúrios do Tejo, chega-se a uma enseada onde tudo abranda ainda mais. A Praia Fluvial do Alamal surge como um oásis de areia clara e águas que refletem o céu, ladeadas por vegetação ribeirinha e protegidas por encostas suaves.

É um lugar onde o tempo se deita ao comprido. As pessoas falam mais baixo, os passos tornam-se descalços, os olhares fixam-se no brilho da superfície da água. Há uma paz quase coreografada entre o barulho do rio e o silêncio interior que se instala.

Para quem caminhou devagar, esta é a recompensa sem pressa: molhar os pés, estender-se ao sol, ouvir crianças a rir ou o estalar de um livro a ser aberto. É um lugar que não se visita apenas: absorve-se.

Se quiser saber mais sobre este local e o que oferece, leia o nosso artigo dedicado à Praia Fluvial do Alamal.

Onde comer e descansar no Gavião

Depois da caminhada, com o corpo mais leve e os sentidos mais despertos, chega aquele momento em que a fome se cruza com a contemplativa satisfação de ter andado por paisagem viva. E não há melhor forma de fechar essa experiência do que à mesa, onde o sabor prolonga o caminho.

No concelho do Gavião, comer é mais do que alimentar-se: é participar numa tradição que mistura lentidão com abundância, terra com rio, azeite com lume brando. Há restaurantes onde a sopa ainda chega a fumegar em malgas de barro, onde o peixe do Tejo partilha a mesa com migas bem temperadas, e onde o vinho da casa acompanha, sem pressa, cada conversa.

Se o que procura é um lugar com vista para o Tejo, uma esplanada sob as árvores, ou uma mesa simples onde a comida sabe a memória, temos várias sugestões que o podem inspirar: Onde comer no Gavião.

Conclusão: um trilho, muitas razões para voltar

Há trilhos que se fazem com os pés, outros com o pensamento. O Passadiço do Alamal tem a rara virtude de acolher os dois. Caminhá-lo é regressar a um tempo mais lento, onde o Tejo guia e a paisagem escuta. É um lugar onde a madeira estala sob os passos como se respondesse, onde a luz se infiltra entre folhas e a memória se escreve sem pressa.

Quem já o percorreu sabe que não se sai dali igual. Fica-se com os sentidos mais despertos, com a alma mais lavada, com uma estranha vontade de voltar a caminhar por aquilo que se torna invisível no dia-a-dia: um reflexo, uma encosta, uma sombra.

Leve este artigo consigo como mapa emocional. Pode não mostrar todos os pormenores do caminho, mas aponta na direção certa.

Porque há trilhos que se percorrem mais de uma vez. E este, se for com o coração aberto, nunca se repete.

Boas caminhadas!

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O passadiço em quatro estações: um álbum de atmosferas

Perguntas frequentes sobre o Passadiço do Alamal

  1. 📍 Onde fica o Passadiço do Alamal e o que visitar por perto?

    Fica no concelho do Gavião, distrito de Portalegre, e liga a ponte de Belver à Praia Fluvial do Alamal. Pelo caminho pode admirar o Castelo de Belver e, no final, descansar junto ao rio.

  2. 📸 O que visitar no Alamal?

    Para além do passadiço em madeira junto ao Tejo, vale a pena parar na Praia Fluvial do Alamal, subir ao Castelo de Belver e explorar o PR1 – Arribas do Tejo. É um local ideal para caminhadas, fotografia e natureza.

  3. 🗺️ O que visitar em Gavião?

    O concelho oferece natureza, património e boa gastronomia. Visite o passadiço, o Castelo de Belver, a Praia Fluvial do Alamal e experimente um dos restaurantes tradicionais da vila. Consulte as nossas sugestões de restaurantes no Gavião.

  4. 🚶 Qual a extensão e duração do percurso?

    Tem aproximadamente 3 km e demora entre 45 minutos a 1h15, dependendo do ritmo e do tempo que dedica à contemplação.

  5. 🦽 O passadiço do Alamal é acessível a todos?

    Não. Infelizmente, o percurso inclui escadas e zonas estreitas que o tornam inadequado a pessoas com mobilidade reduzida.

  6. 📅 Qual a melhor altura para visitar?

    Primavera e outono oferecem temperaturas amenas, cores vivas e menos visitantes. No verão, prefira os extremos do dia.

  7. 🧭 O percurso é circular? Inclui os passadiços junto ao Tejo

    O Passadiço do Alamal é linear, mas integra o percurso pedestre PR1 – Arribas do Tejo, uma rota circular de 17 km com paisagens deslumbrantes e travessias como a ponte de ferro e a barragem de Belver.

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Já percorreu o Passadiço do Alamal? Teve algum momento inesquecível ao longo do trilho?

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Sofia

Autora de guias de viagem no Tapa ao Sal, partilha experiências autênticas pelos destinos de Portugal. Com mais de 180 artigos publicados, alia paixão pela gastronomia e cultura portuguesa a uma escrita detalhada e acompanhada de fotografia própria.

Artigos: 190

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