pastor na serra da estrela

Sr. Manuel, o Pastor da Serra da Estrela: Guardião de uma Tradição Centenária

A cada passo que damos há algo por descobrir, desta vez tivemos uma bela descoberta! O Sr. Manuel que é pastor na Serra da Estrela.

No coração da Serra da Estrela, entre paisagens deslumbrantes e trilhos antigos, encontrámos o Sr. Manuel, um dos últimos pastores a vaguear por estas montanhas.

Com um sorriso acolhedor e uma voz que ecoa pela serra, o Sr. Manuel partilhou connosco histórias de uma vida dedicada ao pastoreio, uma profissão que, embora em declínio, ainda resiste como símbolo da identidade local.

A Encontar no Sabugueiro

A nossa viagem levou-nos ao Sabugueiro, uma das aldeias mais emblemáticas da Serra da Estrela.

Foi ali, entre encostas verdes e o som dos chocalhos, que avistámos o rebanho do Sr. Manuel.

A cena parecia saída de um postal antigo: cabras a pastar livremente e o Sr. Manuel, com a sua bengala e saco às costas, a vigiar o rebanho com a serenidade de quem conhece aqueles caminhos desde sempre.

“Venham cá”, chamou-nos, e não hesitámos em aproximar-nos.

A sua hospitalidade e desejo de partilhar histórias foram evidentes desde o primeiro instante.

Apesar de ter começado a vida como trabalhador da construção, participando inclusive na construção de uma barragem ali perto, o Sr. Manuel decidiu mais tarde dedicar-se ao pastoreio, abraçando uma vida mais tranquila e em sintonia com a natureza.

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O Sr. Manuel com o seu rebanho em plena Serra da Estrela.

Uma Conversa Sobre Queijo e Memórias

Durante a conversa, o Sr. Manuel falou-nos com orgulho sobre o queijo da Serra da Estrela, um dos mais afamados produtos da região.

As suas cabras, ordenhadas de manhã e à noite, produzem o leite que a sua esposa transforma em queijo.

O Sr. Manuel não perdeu tempo em partilhar connosco um dos seus queijos curados, uma verdadeira iguaria de sabor intenso e inigualável, que saboreámos ali mesmo, acompanhados pelo olhar atento da serra.

A produção de queijo é um dos pilares do pastoreio na Serra da Estrela.

Este queijo, muitas vezes amanteigado e feito a partir de leite de ovelha, é conhecido pela sua textura cremosa e sabor único, atribuído às ervas e ao pasto da região.

O Sr. Manuel explicou-nos que, antigamente, quase todas as famílias na serra faziam o seu próprio queijo, um saber que passava de geração em geração.

Hoje, este conhecimento está ameaçado pela modernidade e pela diminuição do número de pastores, mas ainda existem alguns, como o Sr. Manuel, que mantêm viva esta tradição.

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O seu rebanho a comer o pasto verdejante.

A História do Pastoreio na Serra da Estrela

O pastoreio é uma atividade ancestral na Serra da Estrela, datando de séculos atrás.

Era comum ver rebanhos a pastar pelas encostas, conduzidos por pastores que conheciam cada pedra e cada curva dos trilhos montanhosos.

Esta prática não só fornecia sustento às famílias locais através da produção de leite, queijo, e carne, mas também ajudava a moldar a paisagem e a preservar a biodiversidade.

Os pastores da Serra da Estrela desempenhavam um papel crucial na manutenção dos ecossistemas.

A pastagem controlada ajudava a evitar incêndios florestais, mantendo a vegetação rasteira e impedindo o crescimento excessivo de mato.

Além disso, os rebanhos promoviam a dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração natural das pastagens.

No entanto, a vida de pastor nunca foi fácil.

Enfrentando o rigor do clima, com invernos nevados e verões quentes, e a solidão dos longos dias passados na serra, os pastores precisavam de uma resiliência notável.

Apesar disso, esta era uma vida escolhida por muitos, movidos pelo amor à terra e aos animais.

Declínio da Tradição

Com o passar do tempo, a tradição do pastoreio começou a enfrentar novos desafios.

A industrialização, a migração para as cidades, e a modernização das práticas agrícolas contribuíram para o declínio do número de pastores na Serra da Estrela.

Hoje, são poucos os que, como o Sr. Manuel, continuam a percorrer as encostas com os seus rebanhos.

Esta diminuição tem consequências não só para a cultura local, mas também para o ambiente.

Sem os rebanhos a pastar, as encostas da serra tornam-se mais vulneráveis a incêndios, um problema cada vez mais comum nos verões quentes de Portugal.

Além disso, a produção de queijo artesanal, um dos símbolos gastronómicos da região, também corre o risco de se perder.

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O Futuro do Pastoreio na Serra da Estrela

Embora o futuro do pastoreio na Serra da Estrela seja incerto, existem esforços para preservar esta prática.

Projetos de turismo rural e ecológico têm vindo a promover a experiência de acompanhar pastores como o Sr. Manuel nos seus percursos diários, oferecendo aos visitantes uma janela para o passado e uma compreensão mais profunda da vida na serra.

Além disso, iniciativas para proteger o queijo da Serra da Estrela como produto de Denominação de Origem Protegida (DOP) ajudam a garantir que o saber tradicional seja mantido.

Este reconhecimento não só valoriza o trabalho dos pastores e produtores, mas também assegura que o queijo continue a ser um embaixador da serra em Portugal e no estrangeiro.

Um Encontro que Fica na Memória

Já não sabemos se o Sr. Manuel ainda caminha pela serra com o seu rebanho.

Desde aquele encontro, verão de 2016, não voltámos a vê-lo, mas as memórias da nossa conversa e o sabor daquele queijo permanecerão connosco.

O Sr. Manuel representa a resistência de uma tradição que se recusa a desaparecer, mesmo perante os desafios dos tempos modernos.

Na Serra da Estrela, cada pastor conta uma história de ligação à terra, de respeito pela natureza, e de resiliência.

E enquanto houver pastores como o Sr. Manuel, haverá sempre uma esperança de que o pastoreio continue a ser parte viva da paisagem e da cultura da serra.

Conheça o Sr. Manuel, através deste álbum de fotografias:

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Sofia

Autora de guias de viagem no Tapa ao Sal, partilha experiências autênticas pelos destinos de Portugal. Com mais de 180 artigos publicados, alia paixão pela gastronomia e cultura portuguesa a uma escrita detalhada e acompanhada de fotografia própria.

Artigos: 190

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