Cuidados Paliativos: Ser eu, digno… até ao fim…

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“Doutor, vou morrer? ”

A perspectiva da morte assusta todo e qualquer ser humano, mas é para nós a maior certeza e definitiva realidade.

A morte não é uma opção, não é algo que poderá eventualmente acontecer…

Na atualidade, muito se tem debatido sobre o tema eutanásia (prática pela qual se abrevia a vida, a pedido do doente, de forma controlada e assistida por um profissional de saúde) e em breve veremos este tão controverso tema referendado no nosso querido Portugal.

 

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A evolução da Medicina nos últimos anos trouxe, além de melhorias em saúde, a necessidade de desenvolver uma Medicina de acompanhamento em fim de vida.

 

O aumento da longevidade, da esperança média de vida, o aumento do número de doenças crónicas e progressivas levaram a uma verdadeira alteração do paradigma da morte.

A luta pela cura de muitas doenças, os avanços da medicina nos meios de diagnóstico e tratamento, o treino dos profissionais de saúde na cura de doenças agudas, negligenciou o foco sob as doenças crónicas e levou a um conceito de negação da morte, da morte como uma derrota do profissional de saúde e assim a uma desumanização dos cuidados.

 




 

Medicalizámos a morte…

Na década de 60’, a inglesa Cicely Saunders, enfermeira, reconhecendo a escassez de cuidados de saúde prestados a doentes com doenças progressivas, avançadas e incuráveis, iniciou um novo ciclo, oferecendo a estes doentes cuidados rigorosos, científicos e de qualidade.

 

Iniciou-se assim uma nova área da Medicina, a Medicina Paliativista.

 

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A perspectiva da morte assusta todo e qualquer ser humano.

No entanto, muitos anos se passaram e só em 2002 é que a Organização Mundial de Saúde definiu os Cuidados Paliativos como uma “abordagem que visa melhorar a Qualidade de Vida dos doentes – e suas famílias – que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do sofrimento, com recurso à identificação precoce e tratamento rigoroso dos problemas não só físicos, como a dor, mas também psicossociais e espirituais”.

 




 

As graves ameaças ao direito fundamental do ser humano de ser auxiliado na fase final da vida e os atentados à sua dignidade promoveram os Cuidados Paliativos como defensores dos direitos do doente incurável, protegendo a sua autodeterminação, autonomia, dignidade, prevenindo o sofrimento e a solidão, oferecendo ao doente cuidados de saúde de qualidade, mantendo sempre a interdição de intencionalmente por fim sua à vida.

 

Os Cuidados Paliativos visam, assim, sempre e acima de tudo a qualidade de vida do doente em doença avançada e progressiva.

 

Afirmam a vida acima de tudo e aceitam a morte como processo natural não a provocando nem atrasando sob nenhuma forma.

O seu objetivo central é o bem-estar do indivíduo, proporcionando-lhe o mesmo de todas as formas possíveis desde que não se entre em medidas obstinadas e desproporcionais.

 

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Os Cuidados Paliativos, destinam-se assim a todas as pessoas com doenças crónicas, progressivas, avançadas e incuráveis: neoplasias, insuficiências de órgão, HIV-SIDA, doenças neurológicas degenerativas, demências… todos os doentes com prognóstico de vida limitado independentemente da sua idade ou diagnóstico.

 

E cada vez mais iremos ouvir falar também em Cuidados Paliativos Pediátricos e Neonatais…

 

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Há sempre algo a fazer… e os Cuidados Paliativos mostram-nos isso.

Nesta perspectiva de valorizar acima de tudo a qualidade de vida do doente, os Cuidados Paliativos tornam-se multidimensionais.

Não visam apenas o controlo dos sintomas físicos do doente em fase terminal, mas sim, o doente como um todo, na sua essência holística de ser humano com todas as suas dimensões: espiritual, social, emocional e psicológica.

 




 

Estes cuidados, tem sempre em atenção não apenas o doente mas as pessoas que são para ele significativas, familiares e cuidadores tentado suprir todas as necessidades deste inseparável binómio doente e família e daí, a necessidade dos Cuidados Paliativos manterem o apoio não só em vida mas posteriormente à família e cuidadores no luto.

“Não tem cura, não há mais nada a fazer…” estamos habituados a ouvir esta frase, e a consagrá-la como derrota, como fim…

Mas HÁ SEMPRE ALGO A FAZER… e os Cuidados Paliativos mostram-nos isso.

Não se desiste de um doente, de uma família porque o fim está próximo… falamos de seres humanos… dignos, inabandonáveis… há sempre algo que podemos fazer, melhorar a qualidade de vida, pequenas intervenções tornam-se grandes aliviando o sofrimento do doente que está diante de nós.

 

Cuidar antes de tratar… nem só na Medicina devia ser assim…

 

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