Manuel Neto dos Santos – 14ª Publicação

Manuel Neto dos Santos – 14ª Publicação

CADERNO DE MONTE BOI E OUTROS VERSOS QUE ME CHAMAM COMO VOZES

Desmaia a luz do dia, e a noite vai surgindo

Nas breves pinceladas pela abóbada celeste

E a brisa vai rodando, chegando de sueste

E o sol, no ocidente, dá-me o horizonte lindo.

E o escuro é como um véu, irmão de outra cegueira

Que levanta a muralha perante o mundo em frente…

E enfrento o latejar do tempo, de repente,

E de repente sou a noite à minha beira.

E a lua, quase plena, derrama, pelo jardim,

Uma veste de prata, amiga dos meus olhos,

Na sua suavidade diferente dos escolhos

Do sol feroz da tarde, ardendo sobre mim.

poesia manuel neto dos santos
Fotografia ilustrativa – Sol sobre o rio Tejo… onde se une Portugal e Espanha – Autor: Sérgio Santos

Desmaia a luz do dia; agora a viuvez

Do céu é como eu sou nos dias que não escrevo.

Nos dias em que a noite toma o lugar do enlevo

E o enlevo é triste e escuro, negrido como pez.

A cortina de luto, estendida, no seu todo

Que um cárcere de breu desenha à minha volta…

E o silêncio apregoa, como se fosse escolta

À minha solidão, de um pego, o espesso lodo.

Casa 17 Junho 16, 23,50h

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Manuel Neto dos Santos
Poeta, actor, declamador, tradutor, poliglota. Nasceu em Alcantarilha- (Silves-Algarve) - a 21 de Janeiro de 1959. Activista cultural desde a adolescência. Figura incontornável na moderna poesia portuguesa.

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