Impacto-do-coronavírus-nas-maiores-economias

A economia ou a vida… eis a questão…

Neste momento parece-me que ninguém de bom senso conseguirá prever o fim da pandemia...

Voltando hoje ao tema do coronavírus, escrevo sobre a forma de como alguns líderes mundiais lidaram com o facto…

Se é certo que em vários países houve a noção da gravidade da situação, houveram outros que tentaram desdramatizar o facto, alegando que a pandemia não seria assim tão grave…

Seria fácil agora acusar líderes como Xi Jinping, Bolsonaro, Donald Trump ou Boris Johnson de total irresponsabilidade…

Não o vou fazer…

Embora me pareça que os quatro tentaram de alguma forma e com muita sobranceria, relativizar uma situação que pode vir a ser muito complicada, tentando numa jogada arriscada garantir que a economia não parava…

Que o Covid-19 era no fundo um caso pouco relevante em termos de perdas de vidas humanas, ou qua a existirem seriam sempre numa faixa etária mais elevada…

Viu-se agora que foi uma opção errada…

Mas vamos a factos…

A China país onde surgiu o primeiro foco de infecção, tentou numa primeira fase enterrar a cabeça na areia…

Como se a situação fosse pouco grave e por isso perfeitamente controlável…

Só quando o surto infeccioso tomou proporções enormes, é que os chineses alertaram o mundo para uma possível pandemia…

Da mesma forma e surpreendentemente anunciou o fim da pandemia passado algum tempo…

Com intenções claramente económicas, visto querer que as fábricas voltem à laboração em pleno…

Impacto-do-coronavírus
Fotografia meramente ilustrativa – Vista aérea sobre a Urbanização da Barrada (Carregado) com a Central Termoelétrica do Ribatejo em plano de fundo – Foto: Sérgio Santos

Em relação ao Brasil…

O Brasil é um país com uma dimensão continental…

Com uma produção imensa de bens…

Com a chegada de Bolsonaro ao poder, houve alguma dinâmica económica…

Grandes empresas privadas anunciaram investimentos no Brasil…

O que levou o Presidente a tentar estancar a hemorragia promovida pela Covid-19

Tentando de uma forma algo precipitada anunciar o fim da epidemia a cada semana…

O Brasil tem grandes polos habitacionais e industriais distribuídos pela sua imensa área geográfica…

Com o aparecimento de novas fábricas, criaram-se bairros periféricos designados por favelas, e onde muitas vezes em condições terríveis de salubridade vivem milhões de pessoas…

Parece-me que Bolsonaro não tem a noção do perigo de uma contaminação viral nesses imensos subúrbios, abrindo assim a porta a um surto viral de dimensões gigantescas…

No entanto e ouvindo o Ministro da Saúde Brasileiro, tenho esperança que afinal a propagação do vírus no imenso país Sul Americano, não atinja as proporções de catástrofe humanitária…

Nos Estados Unidos e por incrível que pareça, aconteceu o mesmo…

Animado pelo sucesso económico e a baixa da taxa de desemprego, Donald Trump teve exactamente o mesmo comportamento…

Tentou minimizar o impacto da doença na sociedade Americana…

Donald Trump achou que se a economia se aguentasse, isso seria um enorme trunfo na campanha eleitoral das eleições de novembro de 2020…

Poder-se-ia apresentar ao povo Americano como um herói…

Tinha salvo a economia e garantido que a pandemia era afinal um vírus chinês…

Donald Trump foi eleito graças aos eleitores do chamado Rust Belt

A cintura da ferrugem…

Estados onde a produção de aço e maquinaria pesada tem uma importância enorme e que se situam numa zona gigantesca na região dos grandes lagos

As siderurgias que tinham sido deslocadas para o extremo oriente, voltaram a laborar durante a administração Trump…

O que fez com que naqueles estados outrora atingidos pela pobreza, o desemprego caísse para níveis históricos…

Isso fez com que perante a ameaça de um vírus e com as eleições à porta, Trump tenha feito uma fuga para a frente com consequências desastrosas as quais lhe poderão inclusive ditar a derrota eleitoral em 2020…

Não é por acaso que a maior taxa de mortalidade pelo Covid-19, tem ocorrido naqueles estados do Rust Belt…

Porque também é aí que se verificam menos condições de salubridade…

Enquanto líderes das maiores economias americanas e asiáticas, todos as tentaram salvar, esquecendo no fundo o que havia de mais importante…

A vida humana…

No que diz respeito à Europa, nas últimas semanas também Boris Johnson, o primeiro ministro inglês, teve atitudes comparáveis…

Eufórico pela saída da União Europeia e contando com o apoio político de Donald Trump, Johnson teve em relação à Covid-19, uma atitude algo complacente, mantendo o país aberto até perder o controlo da situação, em que o próprio primeiro ministro acabou por ser infectado e tendo inclusive corrido risco de vida…

Neste momento parece-me que ninguém de bom senso conseguirá prever o fim da pandemia…

No entanto os países onde se verificaram menos óbitos, estarão na minha opinião melhor preparados para um futuro que se advinha complicado…

Embora e pela enormidade dos meios que dispõem, os Estados Unidos, bem como a China poderão rapidamente ficar de novo na linha da frente da economia mundial…

Quanto ao Brasil e também por ser um colosso industrial, quero acreditar que mesmo com Bolsonaro fazendo algumas asneiras, continuará durante muitas décadas como o motor económico da América Latina…

Que Deus nos ajude…

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António Franco
Nasci em 1966 na aldeia da Paúla, em Alenquer, e vivo dos meus prazeres... Gosto de política, de ler, não dispenso uma ida ao Gerês e à Nazaré... Conversar com os meus filhos enche-me a alma... O cheiro da terra molhada, assim como o nascer do sol e as noites estreladas de verão, alimentam-me o espírito... Depois de tudo isto contemplo a paisagem com um passeio junto aos moinhos... Este sou eu!

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